A asma e o uso de corticosteróides na infância

Saúde das crianças

Créditos: Miodrag Gajic

“A mortalidade pela asma aumentou nas últimas décadas, a despeito das aquisições tecno-farmacológicas da medicina moderna. Muitos estudos estão sendo realizados mundialmente para explicar as causas da mortalidade, destacando-se: a doença não foi bem reconhecida; falha na orientação e esclarecimento dos pacientes (ou de suas famílias); uso inadequado ou exagerado de bombinhas (geralmente por falha de orientação do uso correto); os medicamentos não foram prescritos (ou ministrados) de maneira correta; houve retardo no uso precoce da cortisona; falha no reconhecimento dos sinais de alarme”.

A Asma e suas Causas

A asma é uma doença grave que afeta pessoas de todas as idades, culturas e localizações geográficas. Embora cada pessoa possa apresentar sintomas diferentes, a definição de asma é muito específica. A doença consiste em um distúrbio inflamatório crônico dos pulmões, caracterizada por chiado, falta de ar, opressão torácica e tosse, a qual estima-se afetar mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo. É por vezes uma doença grave e potencialmente fatal. Apesar dos esforços para reduzir a morbidade e a mortalidade associadas à asma, a doença parece estar em ascensão, especialmente entre crianças.

A asma é uma afecção grave que pode ter um impacto significativo na qualidade de vida de uma pessoa, e pode resultar em falta às aulas ou ao trabalho, bem como visitas não programadas ao médico ou ao hospital. Embora não haja cura, é uma doença que pode ser controlada, permitindo que a maioria das pessoas leve uma vida produtiva e ativa.

Também conhecida como “bronquite asmática” ou como “bronquite alérgica”, a doença acomete os pulmões e se acompanha de uma inflamação crônica dos brônquios. Os conhecimentos iniciais sobre a asma eram restritos, mas com os avanços da medicina nas últimas décadas, passou-se a conhecer melhor as suas causas, mecanismos envolvidos, surgindo novos medicamentos e tratamentos.

“O primeiro passo no controle do asmático é o estabelecimento de uma boa relação médico-paciente. O médico deve ser preparado para este tipo de abordagem, a ponto de identificar as dificuldades inerentes a cada paciente, propondo-lhes soluções viáveis. Cada paciente apresenta a “sua” asma, ou seja, a asma varia de pessoa para pessoa, podendo mesmo variar numa mesma pessoa em diferentes fases de sua vida”, explica Dra. Maria Cândida Rizzo, pesquisadora associada à Disciplina de Alergia, Imunológica Clínica e Reumatologia do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina.

A especialista explica que a crise da asma pode ser assim descrita: “tosse improdutiva, respiração curta, cansaço, chiado, rosto suado, inquietação, choro, às vezes prostração ou vômitos ocasionais”. Tudo isso ocorre porque existe um obstáculo ao livre trânsito do ar nas vias aéreas: os brônquios e bronquíolos, que conduzem ar respirado para os pulmões, são elásticos e seu tamanho interno aumenta ou diminui durante os movimentos respiratórios. “Numa crise de asma, os brônquios estão contraídos (broncoespasmo), a mucosa que reveste as vias aéreas está inchada (edema) e as glândulas que produzem muco trabalham em excesso (gosma)”, completa a doutora. Ao mesmo tempo, ocorre um processo de inflamação nas vias aéreas, que atua perpetuando a irritabilidade dos brônquios, mantendo a crise e a doença. Estas alterações ocorrem em determinadas áreas dos pulmões, enquanto outras estão bem e procuram compensar a oxigenação do organismo. Ao mesmo tempo, são acionados mecanismos de defesa que auxiliam na melhora da crise e na resposta aos remédios.

Entretanto, é importante que uma crise seja prontamente medicada, pois os mecanismos naturais de compensação podem ser ultrapassados com piora da falta de ar e do sofrimento do doente. As crises, portanto, podem variar de intensidade. Quanto mais cedo se aprende a reconhecer os sintomas iniciais, mais facilmente se consegue evitar que uma crise forte se instale. A maioria das crises fortes pode ser prevenida porque a obstrução usualmente progride em vários dias, havendo tempo para um tratamento, antes que se torne grave e fatal. É rara uma crise súbita e rápida. O que acontece na maior parte das vezes é que o paciente não valoriza os sintomas, o próprio médico pode não avaliar adequadamente a gravidade do caso e uma crise pode complicar-se. “O paciente e sua família devem ser orientados para que o tratamento seja iniciado o mais precocemente possível”, orienta Dra. Maria Cândida.

Tipos de Tratamento

Os medicamentos são de dois grupos: aqueles usados em crises, que combatem os sintomas da doença, neste caso utilizam-se bronco dilatadores e antiinflamatórios; e aqueles usados para prevenir crises. O tratamento vai depender de uma série de fatores, tais como o tipo de crise. “Cada pessoa é uma pessoa, cada crise é uma crise e o tratamento vai ser diferente em cada ocasião da vida do paciente. O importante é seguir as recomendações do seu médico, que o ajudará a escolher o melhor tratamento. Evite repetir receitas antigas ou seguir conselhos de amigos ou balconistas de farmácia”, alerta Dra. Maria Cândida.

No entanto, o tratamento inadequado de pacientes com asma persistente é mais comum do que se poderia imaginar. Esta foi uma das principais conclusões dos especialistas que participaram do Congresso Mundial sobre Saúde Pulmonar e do 10o Congresso Anual da Sociedade Européia de Respiração (ERS), realizados recentemente em Florença, Itália. O consenso geral aponta para a necessidade de comunicação mais clara entre médicos e pacientes para conter a crescente epidemia mundial da doença.

Recente estudo apresentado no evento foi uma pesquisa italiana que incluiu 311 adultos e 305 crianças com asma, 100 pediatras, 200 clínicos gerais e 305 pais de crianças com asma. Das crianças, 63% sofriam com a doença, apesar de relatarem adesão às medicações preventivas inalatórias. No caso dos adultos, o percentual sobe para 67%. Vários estudos demonstraram que a adesão ao tratamento inalatório, em geral, é baixa, particularmente entre as crianças, atingindo cerca de 50% em média. Além disso, 60% dos pacientes adultos e 57% das crianças relataram não conseguir fazer tudo o que pessoas não-asmáticas fazem; 56% dos adultos e 50% das crianças relataram que não conseguiam praticar atividade física. O prof. Walter Canônica, alergista do Departamento de Medicina Interna da Universidade de Gênova, observou que há um descompasso entre o que os médicos pensam e a realidade vivida pelos pacientes. “Os médicos consideram a medicação eficaz para aliviar o sofrimento de seus pacientes enquanto estes afirmam que ainda estão sofrendo”.

A Asma na Infância e o Uso de Corticosteróides

Nas maiores cidades do Brasil, conforme resultados do Estudo Internacional da Asma e Alergias na Infância – ISAAC, mais que 20% dos adolescentes de 14 anos têm asma. A asma é uma doença muito comum na infância e uma em cada 10 crianças tem asma. Falta de ar, tosse, chiado, noites mal dormidas, consulta a médicos, nebulizações, injeções e, o que é pior, limitações em jogos e brincadeiras, acaba deixando a criança insegura, assustada, sem entender o que está acontecendo.

Os corticosteróides (orais ou inalatórios), usados para tratar alergias severas, são um dos remédios mais eficazes disponíveis atualmente para o tratamento da asma. Eles diminuem a inflamação e as respostas do sistema imunológico aos alergênicos aos qual a pessoa é sensível. O conhecimento atual de que a asma é uma doença inflamatória crônica tem justificado a administração cada vez maior e mais precoce dos corticosteróides, como tratamento preventivo para as crianças. De acordo com o Prof. Dr. Dirceu Solé, editor da Revista Brasileira de Alergia e Imunopatologia, publicação da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia, “estes medicamentos têm demonstrado efetividade independente da gravidade da asma, o seu uso precoce associa-se à prevenção de alterações estruturais, controle dos sintomas, redução das exacerbações agudas (hospitalizações), melhora da função pulmonar e diminuição da hiper-responsividade brônquica”.

Contra-indicações dos Corticosteróides

Entretanto, estudos recentes, de curto e médio prazo, têm associado o tratamento com corticosteróides inalatórios, sobretudo o dipropionato de beclometasona (DPB) a retardo de crescimento, mesmo quando utilizado em doses consideradas seguras (abaixo de 400 mcg/dia). Entre as várias causas de retardo de crescimento destacam-se: doenças genéticas, problemas nutricionais, distúrbios hormonais e doenças crônicas. Entre elas, a asma é apontada como causa significativa de baixa estatura em crianças. Na população geral, a prevalência de baixa estatura é de 2 a 3%. Em pacientes alérgicos, principalmente asmáticos, ela pode oscilar entre 2 e 10%.

De acordo com Dr. Dirceu, várias hipóteses têm sido apontadas para explicar a maior frequência de baixa estatura em pacientes asmáticos além do tratamento com corticosteróides: o tempo de duração da asma, a idade de início (mais precoce), a presença de alterações anatômicas dela decorrentes, e outros fatores principalmente associados às formas mais graves são alguns dos pontos principais incriminados pelos vários pesquisadores como responsáveis por tal retardo. Para o especialista, estudos mais aprofundados ainda são necessários para que se possa identificar de modo mais apropriado a real participação dos corticosteróides inalatórios no retardo de crescimento observado em alguns pacientes.

Observação: As opiniões dos colunistas aqui publicados refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte do portal DirectSaúde ou quaisquer outros envolvidos neste processo. Nunca utilize medicamentos sem a prescrição médica.

Saiba sobre a Candidíase

Saúde da mulher

Créditos: Dylan Ellis

A candidíase é um corrimento mais freqüente na mulher quando predomina um agente denominado cândida (que é um fungo), sendo o mais comum a Cândida Albicans.

Pode aparecer em várias situações, principalmente naquelas em que ocorre a diminuição da defesa da vagina, como o diabetes descompensado, gravidez, uso de medicamentos denominados imunossupressores, uso prolongado de anticoncepcionais, tabagismo, calças extremamente apertadas e outras.

Se caracteriza por apresentar,quando visto ao exame especular,como um corrimento branco, de aspecto leitoso, podendo ou não ter cheiro fétido e alguns casos, deixa a vagina bastante hiperemiada, dando um prurido bastante desagradável, não sendo uma doença sexualmente transmissível.

Normalmente, o diagnóstico é realizado ou através do exame especular (como citado anteriormente,quando a paciente tem queixa de corrimento e vem ao consultório médico),ou através do exame de papanicolau (sabendo-se que a principal função desse exame é verificar se existe a suspeita de células cancerígenas na região do colo uterino e a segunda função é verificar ou não a presença de corrimento), ou através de coleta de exame de secreção vaginal, quando a amostra é enviada a um laboratório para verificar a presença dos fungos.

O tratamento pode ser realizado com medicamentos via oral (sabendo-se que uma parte dos fungos tem origem no aparelho digestivo, principalmente no intestino) e/ou creme vaginais durante 07 a 10 dias, sabendo-se que cada caso é um caso.

Importante se referir á prevenção; esse tipo de fungo tem uma preferência muito grande por meio úmido. Por este motivo,é importante orientar a paciente para que a mesma use calcinhas de algodão e se possível durma sem calcinha.

Observação: As opiniões dos colunistas aqui publicados refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte do portal DirectSaúde ou quaisquer outros envolvidos neste processo. Nunca utilize medicamentos sem a prescrição médica.

Michel Mandelman

Formado em Medicina pela Universidade de São Francisco (Bragança Paulista), possui Título de especialista em Ginecologia Obstetrícia (PEGO reconhecido pela Associação Médica Brasileira) e cursos de Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde (FGV) e Marketing em Saúde (PUC). Também é consultor de programas de rádio e televisão, abordando assuntos relativos a especialidade.

Entre em contato: mandelman@ig.com.br

Para não esquecer, não esquecer

Cuidados com as crianças

Créditos:ICHIRO

A maior tragédia dessa história é que as crianças confiam nos adultos. Confiam como uma bússola ou um oráculo. Agarram-se a seus atos e palavras como uma boia no oceano ameaçador de uma vida a qual recém foram apresentadas.

A menina confia no pai quando ele diz que vai chupar seus seios que ela não tem porque a ama.

E confia nele, também, quando afirma que vai matar toda a família se contar para alguém sobre o “carinho” que recebe. Confia na mãe quando é chamada por ela de vagabunda e confia, também, quando ela garante que a criança será um nada na vida. Confia no padrasto quando ele apaga cigarros no seu corpo porque foi um menino muito mau e, também, quando ele bate a sua cabeça contra a parede porque não suporta o choro de sua dor.

As crianças confiam nos adultos quando eles as espancam, as violam, as torturam e as matam. A maior tragédia dessa história não se encerra na família. Quando finalmente a criança consegue pronunciar o tamanho da infâmia a qual é submetida, ela continua confiando nos adultos. Confia na professora quando conta que não consegue parar sentada na cadeira porque o tio botou o “pipi” na sua bundinha e sangrou.

Confia quando sussurra que não quebrou a perna caindo da árvore como a família contou ou que aquela mancha roxa na bochecha não foi resultado de um soco de um colega. E morre um pouco mais quando a professora diz que isso não passa de história de criança mal-educada.

Confia no conselheiro tutelar quando conta que vende o corpo na rua porque já foi violado em casa.

E confia nele, também, quando afirma que se não levar dinheiro para o casebre onde mora vai apanhar a relho. E morre um pouco mais quando tudo o que o conselheiro pode lhe oferecer é uma vaga numa instituição onde sabe que será currado pelos mais velhos.

Confia no médico e na enfermeira a quem abre as chagas de seu corpo a custo sem medidas. E confia na assistente social e no psicólogo a quem escancara o coração até então encarcerado pelas chaves do silêncio.

E morre um pouco mais quando o “sigilo ético” é usado como explicação para o zeloso profissional não levar o caso adiante. Confia no juiz quando pede que limpe a cera do preconceito e a escute. E confia nele, também, quando implora que preste mais atenção em evidências invisíveis, mas que
sangram, do que no laudo inconclusivo e estéril do Departamento Médico Legal. E morre em definitivo quando o senhor togado do seu destino sentencia que não há provas materiais para condenar seu algoz. Ou que, apesar de seus 12 anos, era bem resolvida e esperta para seduzir seu estuprador.

A maior tragédia dessa história é que as crianças confiam nos adultos. São jovens demais para adivinhar que nos tornamos cegos, surdos e mudos. São puras demais para saber que preferimos conjugar o verbo ignorar ao verbo agir.
São inocentes demais para compreender que somos uma sociedade autofágica que, ao matá-las, destruí-las ou violá-las, nada mais faz que se imolar. A maior tragédia dessa história é que as crianças só podem contar com os adultos. Aos algozes da inocência sobra o argumento de que um dia, quase certamente, também eles foram vítimas nas mãos familiares de um carrasco.

E a nós, que escutamos seus gritos na rua, no consultório, no conselho ou no tribunal, qual é a desculpa que nos resta?

Ou passamos a merecer a confiança da criança que nos estende a mão ou a tragédia é tudo o que nos restará.

Observação: As opiniões dos colunistas aqui publicados refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte do portal DirectSaúde ou quaisquer outros envolvidos neste processo. Nunca utilize medicamentos sem a prescrição médica.

Ariane de Andrade

Possui licenciatura em Psicologia, que exerce desde 2008. Especialista em Psicopedagogia pela Anhanguera Educacional e se especializando em Metodologias para o Enfrentamento da Violência contra Crianças e Adolescentes, pela PUC- PR. Atende na equipe multidisciplinar da Paróquia São João Batista de Jacareí, e no Aconselhamento Psicológico na Paróquia Santa Cecília em Jacareí. Também atende no Instituto de Psicologia e Psicanálise Aplicadas a Crianças e Adolescentes Carentes- Crescendo em São José dos Campos, SP. Entre outras atividades já concedeu entrevista em rádio, publicou artigos e matérias em vários meios de comunicação e participa e organiza eventos ligados a psicologia e a educação.

Entre em contato: ariane.deandrade@yahoo.com.br

POR QUE O AZEITE É TÃO ESPECIAL?

Cuidados com a saúde

Créditos:C Squared Studios

Existem vários tipos de azeite, mas o que difere um do outro é, principalmente, o grau de acidez de cada um. Quanto menor a acidez, mais saboroso é o azeite.

Azeite de Oliva Extravirgem = tem acidez menor que 0,8% / é o de melhor qualidade / ideal para finalização de pratos e usos em salada

Azeite de Oliva Virgem = tem acidez entre 0,8% e 1,5% / ideal para consumo cru

Azeite de Oliva = tem acidez igual ou inferior a 1% / indicado para cozinhar , assar ou grelhar

Azeite vem do árabe “ Az-zait “ , que significa sumo de azeitona. Esse óleo é alimento, condimento, cosmético , bálsamo , medicina e combustível.

Os benefícios do azeite para a saúde = rico em ácidos graxos monoinsaturados ajuda a reduzir o colesterol ruim (LDL) no sangue e aumentar o nível de colesterol bom (HDL).

Receitas Light = AZEITES AROMÁTICOS

Azeite com Manjericão
Rende 250ml

Ingredientes:
1 maço grande de manjericão
2 e ½ xícaras (chá) de azeite

Preparo:
Lave o manjericão, deixe secar. Liquidifique com ½ xícara (chá) de azeite , transfira para 1 tijela e vá acrescentando o azeite restante para incorporar. Cubra a tijela com fita filme e deixe repousar de 1 dia para outro. Coe e guarde em 1 recipiente com tampa na geladeira

Dica: ideal para peixe assado , massas, risotos e frango grelhado

Azeite de Limão
Rende 100ml

Ingredientes:
1 limão siciliano
½ xícara (chá) de azeite

Preparo:
Lave o limão e raspe a casca colocando-as num recipiente hermético limpo junto com o azeite. Feche e reserve por 3 dias antes de consumir.

Dica: utilize para acompanhar peixe grelhado ou assado, frutos do mar.

Observação: As opiniões dos colunistas aqui publicados refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte do portal DirectSaúde ou quaisquer outros envolvidos neste processo. Nunca utilize medicamentos sem a prescrição médica.

Vivian Goldberger

Nutricionista do EMAGRECENTRO com atuação em Consultoria, Assessoria e Marketing Nutricional. Atua também como Personal Nutri focando: Reeducação, Planejamento Alimentar e Orientação para melhores práticas alimentares, resultando em Saúde e Qualidade de vida.

Entre em contato: contato@vixnutri.com.br

Toxina Botulínica do tipo A– conhecendo este medicamento Parte 8 – Indicações Clínicas IV

Cuidados com a saúde

Créditos: Andy Sotiriou

Hiperidrose

Clínica e terapêutica

O termo hiperidrose descreve o excesso de sudoração. Esta doença acomete 1% da população geral, podendo ocorrer de forma generalizada ou focal, sendo na maioria dos casos, idiopática com história familiar. Os sintomas geralmente pioram com fatores emocionais de ansiedade e estresse(DresslerD., 2000; Almeida, ART&Hesxel D, 2003).

A hiperidrose ainda não tem sua fisiopatologia completamente esclarecida e vários tratamentos clínicos têm sido propostos entre eles: uso de anticolinérgicos sistêmicos, aplicação local de cloreto de alumínio para obstrução das glândulas sudoríparas, aplicação de tanino e iontoforese. Também pode ser tratada através do bloqueio simpático periférico, transtorácico ou endoscópico, excisão da pele, curetagens subcutâneas e simpatectomia. (Dressler D., 2000; Almeida, ART &Hesxel D, 2003).

A toxina botulínica vem sendo utilizada no tratamento da hiperidrose desde 1998 quando Naumann M. (1998) publicou os primeiros relatos de pacientes tratados(Naumann et al 1998).A alteração da sudorese é um dos efeitos colaterais eventualmente observados em pacientes tratados com toxina botulínica. A aplicação intradérmica do produto em pacientes portadores de hiperidrose tem-se mostrado ao longo dos anos uma opção terapêutica segura e eficaz(Dressler D., 2000; Almeida, ART &Hesxel D, 2003).

Na avaliação do paciente e quantificação do quadro clínico o teste mais utilizado é o teste do iodo-amido e a gravimetria. No teste do iodo-amido a área a ser avaliada é limpa e seca e em seguida aplica-se uma solução alcoólica de iodo a 3,5%. Após alguns minutos, quando a área seca naturalmente polvilha-se amido sobre a área. Nos pontos de sudoração, o amido reagirá com o iodo e em consequência aparecerá um precipitado de cor purpúrea. Na gravimetria da área a ser testada é seca e em seguida aplica-se um papel filtro, que irá absorver o suor por um tempo predeterminado. Este papel embebido em suor será posteriormente pesado em balança de prescisão(Almeida, ART &Hesxel D, 2003).

Procedimento e Doses

A toxina botulínica do tipo A vem sendo utilizada para o tratamento da hiperidrose axilar, plantar e palmar, além de outros tipos menos frequentes. A injeção intradérmica pode ser feira ponto a ponto ou de forma retrógrada. A distância entre dois pontos de aplicação deve ser de aproximadamente 2 cm de modo a cobrir toda a área a ser tratada, áreaesta predeterminada pelo teste do iodo-amido(Almeida, ART &Hesxel D, 2003).

As doses preconizadas giram em torno de 50U por região a ser tratada (axila, palma da mão ou planta dos pés) variando entre os autores e chegando até a 200U por região e 400U por sessão de tratamento(Almeida, ART &Hesxel D, 2003).

O procedimento pode ser realizado com ou sem sedação e/ou anestesia, dependendo da região a ser tratada e das condições pessoais do paciente. Quando a anestesia é necessária deve ser feita local e regionalmente através de bloqueios nervosos periféricos utilizando-se anestésicos locais como a lidocaína. Em alguns casos também se pode utilizar, com finalidade anestésica, a crioterapia (gelo/nitrogênio líquido), a vibroterapia, ou ainda anestésicos tópicos(Almeida, ART &Hesxel D, 2003).

Reações adversas e precauções

Decorrente do trauma da injeção pode-se observar como reação adversa: dor, eritema, edema, hematomas e equimoses. A infecção local é rara. Decorrente da aplicação de toxina botulínica, pode ocorrer fraqueza regional dos músculos adjacentes à área tratada. Esta reação adversa é mais importante nos casos de tratamento da hiperidrose palmar, onde a função manual pode ser comprometida. A debilidade muscular, quando ocorre, se resolve espontaneamente ao longo de algumas semanas. Também podemos observar uma hiperidrose residual e assimetrias(Almeida, ART &Hesxel D, 2003).

As reações adversas decorrentes da toxina botulínica podem ser minimizadas através da correta técnica de aplicação e de diluição do produto, adequada às necessidades individuais de cada paciente. A utilização de uma forma farmacêutica cuja difusão seja controlada também é importante.

Estudos clínicos

Um amplo estudo multicêntrico(Naumann M,&Lowe NJ, 2001), duplo cego, controlado com placebo (nível de evidência Ib), estudou pacientes portadores de hiperidrose axilar tratados com toxina botulínica do tipo A, BOTOX®, utilizando-se 50U por axila, seguidos por 16 semanas. Os resultados mostraram uma melhora variando entre 81,8% a 95,0%, em relação ao grupo placebo, além de um alto grau de satisfação por parte dos pacientes tratados.

Na extensão deste estudo(NaumannM,et al, 2003),os pacientes foram seguidos por 12 meses, e durante este tempo foram realizados até 3 procedimentos com toxina botulínica, com intervalo mínimo de 16 semanas entre eles. Nos resultados se observou um índice de melhora de 82% após o primeiro tratamento e de 80% após o segundo, mantendo-se altos níveis de satisfação do paciente. A duração média dos resultados entre dois ciclos de tratamento foi de 30 semanas, podendo chegar até a 51 semanas. Lowe PL. etal.(2003) também demonstraram uma longa duração de efeitos, de até 18 meses, com apenas 1 aplicação de toxina botulínica(Lower PL et al, 2003).

Em relação ao impacto do tratamento sobre a qualidade de vida dos pacientes, Naumann MK. etal, (2002) encontraram uma mudança dramática nos coeficientes avaliados(Naumann MK. et al, 2002).Especialmente a grande melhora foi notada em relação à limitação pública que a doença impõe.

Os efeitos positivos da terapia com toxina botulínica em casos de hiperidrose também foram demonstrados através da utilização do Dermatology Life Quality Index. Swartling C. e col. (2001) conduziram um estudo neste sentido, com nível de evidência IIa, mostrando uma significativa melhora (média de redução do índice variando de 9,9-2,4) por um período médio de 5 meses após o tratamento(Swartling et al, 2001).Estudo similar foi conduzido porCampanati A. e col. (2003) também com resultados excelentes(Campanati A. etal, 2003).

Em relação à hiperidrose palmar, estudos com nível de evidência IIa e III(Bodokh I, 2003; Bodokh I&Branger E., 2001), mostram uma melhora de até 75% dos pacientes tratados. Lowe NJ. e col. (2002) também mostraram uma significativa melhora sem diminuição da força das mãos ou destreza dos dedos(Lowe NJ. et al., 2002).Existem também evidências de que a duração dos efeitos em hiperidrose palmar é mais longa em relação à hiperidrose axilar, porém estes dados necessitam de maiores comprovações.

Observação: As opiniões dos colunistas aqui publicados refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte do portal DirectSaúde ou quaisquer outros envolvidos neste processo. Nunca utilize medicamentos sem a prescrição médica.

Matilde Sposito

Médica Fisiatra, Mestre e Doutor em Medicina pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM), Chefe do grupo de Bloqueios Químicos do Instituto de Reabilitação Lucy Montoro - Unidade Morumbi, ligado ao IMREA/HC-FMUSP, Membro do Grupo Disability and Rehabilitation (DAR) da WHO, Médica consultora da Allergan Produtos Farmacêuticos Ltda. – Divisão BOTOX® Neurociências, para América Latina

Entre em contato: matilde@usp.br